Mentes Conectadas Abri esta seção para poder ajudar com as suas dificuldades no dia-a-dia, problemas nas suas relações amorosas, trabalho, família, ou tudo o que decida me pedir ajuda. Escreva-me e de forma cirúrgica: irei responder caso a caso, encaminhar se for o caso, ou até acompanhá-lo durante o processo de ajuda. Não se sinta mais sozinho, angustiado, ou até deprimido com o problema ou problemas por que está a passar, pois estou aqui para ajudar da melhor forma possível.
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sábado, 9 de março de 2024
Responsabilidade Pessoal
Há pessoas que se isentam de responsabilidades, pois sentem mesmo que a culpa é sempre dos outros.
Quando nascemos, nascemos com um propósito, para sermos alguém, fazermos algo com a nossa vida. Desde pequenos que os nossos pais nos ensinam a sermos responsáveis, desde o básico de ter que tomar banho, comer vegetais, dormir a horas, e muitas outras coisas. Começa-se desde cedo a aprender esta noção de se ser responsável pela nossa vida.
Também se começa desde cedo a aprender a assumir as falhas, como pedir desculpa, como reparar algum dano, a aprender-se a noção do certo e do errado e, muitas vezes, ouvem-se pais a dizer aos filhos que "mentir é feio".
Mas nem tudo é assim tão cor de rosa, pois há muita gente que não teve estas referências e princípios transmitidos em pequenos. E, por isso, a vida adulta torna-se complicada para eles próprios e para aqueles à sua volta, pois estas pessoas não estão sozinhas no mundo, têm amigos, colegas, familiares - e "levar" com uma pessoa destas é muito complicado e até pode vir a ser muito violento, tanto fisicamente como emocionalmente.
De alguma forma, estas pessoas isentam-se de responsabilidades, pois sentem mesmo que a culpa do seu comportamento e escolhas é dos outros. Para mim está aqui um mistério, pois a nível cerebral ainda não consegui entender como isto se desenrola dentro do cérebro.
Não consigo entender como é que uma pessoa consegue passar uma vida a dizer que tudo o que faz é por culpa dos outros e, realmente, acredita nisto! Não vale a pena chamar estas pessoas de desonestas, pois não têm noção do mal que causam a elas próprias e aos demais. Há aqui qualquer coisa que me falha...
Uma das coisas de que tenho noção é que estas pessoas são extremamente carentes e dependentes de alguém. Dependem dos outros para fazer qualquer coisa e essa dependência faz com que abusem dos outros. Tornam-se abusivas emocionalmente, pois são dependentes por culpa dos outros!
Que salada de frutas que aqui vai, mas é a verdade! Como é que uma pessoa consegue viver culpando os outros, dependente deles, e acaba sempre a usar essas pessoas, mentindo, roubando, tratando mal essas mesmas pessoas que, possivelmente, são as únicas que ainda estão do lado deles e sempre os ajudaram? Como é que criam à sua volta tanta decepção?
Como é que não decidem mudar e viver de bem com eles próprios, com os outros, e viver em plenitude, de bem com a vida e com o universo? Porque se violentam desta maneira? Porque violentam os outros? Porque fazem tudo para estarem em situações de risco e querem morrer, mas, ao mesmo tempo, têm tanto medo de morrer? Como fazem tudo para afastar os outros e, ao mesmo tempo, têm tanto medo de os perder?
Possivelmente, a plenitude para essas pessoas seria fazer o que quisessem sem haver consequências, sem haver decepção. Será psicopatia ou sociopatia? Será doença mental não diagnosticada? Não sei!
O que sei é que se tornam pessoas muito cansativas de lidar e não confiáveis.
Tantos de nós que já se cruzaram com este tipo de pessoas! Tantos de nós que já investiram tempo, dinheiro, amizade com estas pessoas para que, no fim, como recompensa, sejamos enganados.
Por compaixão e por pena, muitas vezes, demos a mão, a perna, o braço a estas pessoas, acreditando que elas pudessem mudar e, finalmente, pudessem ter alguma paz e felicidade, mas a verdade é que no fim deste caminho, fomos nós que fomos infelizes, fomos nós que não tivemos paz. Vale a pena o investimento? Está claro que não! Que arrogância a nossa de pensar que se pode salvar uma pessoa assim! Que falta de autoestima que temos em nos dar com alguém assim!
Por isso, quando nos cruzamos com estas pessoas, o melhor mesmo a fazer é um inventário pessoal e refletir sobre o porquê de nos irmos meter na boca do lobo! Porque me meto neste espaço? O que não está bem comigo? O que me falta? De onde vem esta arrogância de achar que posso mudar os outros?
Possivelmente, será melhor começar por mim mesmo! Talvez aí eu venha a compreender que há pessoas que nasceram tortas e nunca se irão endireitar. Talvez venha a compreender que tenho que me pôr em primeiro lugar, tratar de mim e, assim, entender que esse espaço não é para mim, pois o meu EU quer paz, tranquilidade e viver uma vida com qualidade.
É tudo por agora...
sexta-feira, 8 de março de 2024
Problemas de saúde após fim de relação violenta
Resposta a dúvida de uma leitora do Blog X.
Neste artigo do espaço de ajuda “Mentes Conectadas”, abordamos o caso de uma mulher que começou a ter problemas de saúde depois de terminar uma relação de 15 anos em que foi vítima de violência doméstica.
Chegou-me uma pergunta pertinente, que teve toda a minha atenção. Uma leitora que foi vítima de violência doméstica está preocupada com vários problemas de saúde que surgiram após o recente término da sua relação com o namorado que tinha há 15 anos.
Dizia na sua mensagem que passou o inferno durante estes 15 anos e que não compreendia o porquê de, logo após o recente término da relação, ter adoecido. Surgiram complicações no estômago que estão agora a ser analisadas pelo seu médico de família.
Também refere que desde o término da sua relação, e apesar dos seus níveis de ansiedade terem descido de 100% para 0% , agora passa quase todos os dias a dormir e anda cheia de sono – a tal ponto que, mal se encosta no sofá, adormece.
Basicamente, está incrédula porque pensou que uma vez livre do problema, iria agora conseguir aproveitar a vida e, em vez disso, vê-se em médicos.
Ora bem, primeiro que tudo, quero lhe dizer que o meu coração está consigo, e dito isto vamos aqui desmistificar este processo que está a acontecer. Vou tentar explicar da melhor maneira possível, e não conhecendo a história de vida da pessoa, o que me parece que possa estar a acontecer…
Uma vítima de violência doméstica passa anos focada no problema/no abusador, ou seja, os seus dias são focados em como agradar ao abusivo de modo que ele não se torne abusivo seja de forma física ou psicológica.
Isto faz com que comece a "engolir" os seus próprios sentimentos por medo do abusivo.
A nível emocional é mais rápido e visível, pois pode começar a dar sinais de tristeza, ansiedade e depressão. Essa ansiedade, normalmente, "instala-se" no estômago - você consegue sentir os seus sentimentos no estômago, como dores, ou a processar mal a comida devido à ansiedade. Muitas pessoas começam a ter complicações como úlceras nervosas, ou até hérnias no estômago.
Possivelmente, agora que o problema não está presente, o "dragão” (o estômago) libertou-se e, por isso, estas complicações aparecem. Podem ser complicações que já lá estavam, mas o cérebro que andava em constante estado de alerta, não deixou que houvesse o reconhecimento disso.
Em relação a dormir de mais, parece-me que devido a tantos anos de estado de alerta constante, com noites mal dormidas, o seu corpo tem agora espaço para descansar. Como foram tantos anos, parece-me normal ir do 8 para o 80.
O corpo pode ter descompensado porque o cérebro está a tentar entender a passagem do 8 para o 80 e o que pode estar a acontecer consigo é um processo de adaptação. O seu corpo agora precisa de si - tenha paciência, pois está a tentar enquadrar-se com o seu novo modo de vida livre de abusos.
Pode-se dar o caso de ainda não saber bem o que fazer com os seus dias, pois o foco principal saiu de cena.
Agora não tem mais que viver em função de alguém que era uma ameaça e isso faz com que haja tempo de sobra para si, num espaço que antes era tão barulhento (a sua casa) e que agora é tão silencioso.
Mas eis que trago boas notícias para si!
Abrace o processo e não tenha medo do que está a acontecer no seu corpo, pois isso só lhe vai trazer ansiedade novamente.
Veja as coisas desta forma:
1. Tem agora tempo para cuidar de si e isso passa por ir ao médico. Deixe que a medicina tome conta de si e que a ajude no seu recente problema de estômago. Olhe para o seu estômago com amor, como um órgão que também sofreu e precisa agora de ser cuidado e nutrido.
2. Tem sono e quer dormir? Durma! Porque não? Deve ter tantos anos de noites mal dormidas… Porque não aproveitar durante um tempo para descansar e dormir! Não se preocupe que não vai ser assim para sempre. Dê-lhe esse mimo, entregue-se e deixe-se levar pelo processo.
3. Ainda se lembra daquelas coisas todas que gostaria de fazer e nunca fez devido à situação em que se encontrava? Pois, agora é o momento de escolher uma, apenas uma, para começar a viver um dia de cada vez. Experimente fazer essas coisas que antes queria.
4. Faça exercício para estar distraída, recuperar e gerar energia para o corpo e para a mente.
Mantenha-se próxima da sua família e amigos. Uma rede de apoio é sempre muito importante neste processo.
Sugiro-lhe que faça estas pequenas coisas que agora parecem tão grandes. No fundo, é começar a cuidar de si, deixar que o processo aconteça com amor por si mesma.
Tudo a seu tempo se vai encaixar, por isso não tenha medo. O cérebro irá, finalmente, entender que tem um novo modo de vida e irá adaptar-se. Os seus problemas de saúde serão tratados pelo seu médico e irá encontrar-se e encontrar formas de preencher os espaços vazios.
Boa sorte e aproveite a sua nova vida.
Nota: Se precisa de apoio psicológico, procure um espaço seguro, onde consiga falar e refletir sobre si próprix - sobre as suas emoções, pensamentos e comportamentos passados, presentes e futuros.
Homem casado que quer algo diferente
Vale a pena pôr um casamento em risco pela adrenalina de um caso?
Um homem casado escreveu-me porque anseia por viver novas aventuras com a esposa, mas ela não está aberta a isso.
Sou homem, de 34 anos, casado e com 2 filhos.
Como muitos, tenho uma carreira estável, não tenho grandes problemas financeiros e tenho uma vida familiar relativamente pacata.
No entanto, tenho uma profissão bastante stressante e, por vezes, preciso de alguns escapes...
Sexo é algo que adoro, que ajuda a descontrair. Mas a minha esposa é pouco ativa nesse campo, até porque teve sempre uma educação relativamente conservadora.
Já falei com ela sobre alguma abertura para aventuras, mas ela coloca logo que está "fora de questão"!
A verdade é que começo a sentir falta de experimentar algo diferente... Sentir um toque diferente, um sabor diferente...
Ao mesmo tempo, amo-a e não sei se valerá arriscar por um caso...
Alguma sugestão?
Estou a ler o seu email e a sorrir, pois você respondeu sem se aperceber.
Vamos lá...
"Preciso de algo diferente". É normal que sinta isso, pois tem uma profissão stressante, cheia de adrenalina. A adrenalina faz com que sinta insatisfação e, por isso, a necessidade de vários escapes. Nada contra, mas há outros escapes que podem "matizar" o stress.
Eu digo matizar porque a adrenalina/stress deixam sempre uma espécie de vazio, o que é normal, pois você passa o dia a dar e dar e, como é humano, tem a necessidade de receber.
Que tal, em vez de sexo que é outro “adrenalizante”, começarmos com uma pequena experiência? Experimente fazer meditação, inscreva-se e faça durante um mês e depois diga-me o que sentiu.
O que lhe parece? Um tempo só para si.
Em relação à sua esposa, tem de a respeitar por não querer "aventuras" e ser conservadora - não se esqueça que foi isso que o levou a casar com ela. No passado, de certeza que isso, para si, eram qualidades. Há mulheres que não estão para aventuras!
Outra coisa que eu sugeria que analisasse bem é o tempo da sua esposa em casa, para ver a quantidade de tarefas que ela faz, com a casa, filhos e consigo. Se vir que ela faz imensas, então arregace as mangas e ajude, diminua as tarefas dela de forma a que ela se torne mais ativa sexualmente.
Por vezes, não é uma questão de falta de vontade, mas sim de cansaço. Então, rejeita-se o que se dá por garantido inconscientemente.
Ajude-a durante um mês e veja o que acontece. Eu digo sempre um mês, porque é o tempo de o “processo” começar a acontecer.
Quando você começou a escrever "como muitos", faz-me pensar que, muitas vezes, dá por si a pensar "se os outros fazem, porque não faço também". Posso estar errada, mas senti comparação. Ainda assim, convido-o a não ir pelo caminho mais fácil que seria procurar sexo fora do casamento.
Isso só serviria para prazer imediato e depois arranjava mais dois problemas - culpa e vergonha.
O que lhe parece o que sugeri?
Não se esqueça: se já tem um trabalho stressante, arranjar "um caso" seria acumular mais stress, pois iria reproduzir uma nova história na sua vida e não é isso que quer. O que quer é compreender, solucionar a história que já tem.
Um abraço e sempre que queira escreva-me!
--
Até à próxima - Mentes Conectadas X
O que significa gostar de alguém?
Como é que isso se sente?
Bem, são muitas as pessoas que apostam quase sempre em relações dramáticas. Eu própria tive uma altura em que acreditava que amar, ou estar com alguém, implicava sentimentos fortes e um bom “fazer as pazes”.
Hoje tenho medo da frase "fazer as pazes".
Eu lutava e discutia nas relações para “fazer as pazes”.
As minhas relações baseavam-se todas em “fazer as pazes”.
Como conselheira, aprendi que isso tem a ver com o abandono. Eu sabotava para recomeçar.
Quando a relação estava bem, eu aborrecia-me.
Hoje em dia, adoro aquilo a que chamaria então de “aborrecido”.
Fiz novas escolhas com base no que aprendi.
Como já disse, agora detesto fazer as pazes, porque já não é o que eu quero. Não quero brigas, gritos ou discussões.
Quero uma relação baseada na espiritualidade!
Isso não quer dizer que não se erre e que, por vezes, não se aposte no "cavalo errado" - e claro que há sempre a adrenalina de se estar apaixonado.
Mas hoje gosto de uma relação que me traga tranquilidade e paz de espírito!
Adoro o toque e o estar ali. Apenas sentir.
Já não estou ali para controlar ou para ser controlado.
Já não é um jogo!
Quando sinto que estou a entrar numa relação que me vai trazer ansiedade, acabo logo com ela.
Acredito, verdadeiramente, que o universo sabe o que fazer e o que nos traz.
Por isso, as pessoas amam e são amadas!
Se vires que a pessoa que está contigo não te compreende ou não te trata de forma igual, então é melhor ires embora... Sair de lá o mais depressa possível.
Vive o amor.
Vive a paixão.
Vive, mas, acima de tudo, dá-te ao respeito.
quinta-feira, 7 de março de 2024
Auto-obsessão: O que é?
Vou contar brevemente a história de uma mulher um pouco próxima de mim...
A auto-obsessão é, basicamente, um estado de egocentrismo e narcisismo, onde a pessoa está obcecada com algum evento e nada mais importa. Tudo o que acontece à sua volta deixa de ter importância, pois a pessoa está embrenhada na sua autopiedade.
O mundo que se lixe, as pessoas que se lixem, pois o que importa é o que sinto. Pior é quando alguém precisa daquilo que tu sabes fazer, mas como houve uma falha nessa área, então, há uma recusa em VOLTAR a ajudar!
Tudo isto é muito bonito de se falar se não houvesse uma consciência, e um autoconhecimento! Havendo, o caso rapidamente muda de figura.
Vou contar brevemente a história de uma mulher um pouco próxima de mim, que vi com o s meus olhos a ser levada de ambulância para o hospital esta semana...
Era PSP, INEM, era tudo... Ainda perguntei a um familiar o que tinha acontecido, mas o familiar resolveu mentir-me, dizendo-me que se tinha sentido mal. A minha cabeça disse logo: ataque de pânico!
Temos esta mulher que quando era menina, e a mais novinha de 4 irmãos, passou o inferno com a toxicodependência de dois deles. Ainda novinha, o pai morreu de ataque cardíaco!
Possivelmente, pelo desespero violento que é viver com pessoas toxicodependentes em casa - É simplesmente violentíssimo! -, esta menina cresceu, comprou casa, e aos 40 anos, engravidou de um homem emocionalmente não disponível. Foi o que ela aprendeu em criança: a ver a atenção toda dirigida para os irmãos toxicodependentes e a não haver disponibilidade emocional para ela.
Nem podia haver, os toxicodependentes retiram TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO ao ser humano! Energia, emoções, dinheiro, sentimentos, e afins... Apesar de ressentir, estas pessoas acabam sempre por ir parar às mãos de homens ou mulheres parecidas com os pais, pois é o que conhecem e torna-se normal.
A meio da gravidez separou-se deste homem, mas tinha o seu bom emprego. Veio o COVID19 e perdeu o emprego. Três perdas, muito juntas umas às outras.
Três? Sim, três, porque quando se tem um filho por 9 meses na barriga cria-se uma ligação, e quando ele sai da barriga, há uma perda, apesar de haver uma grande alegria pelo seu nascimento. Ainda assim, pode-se entrar em depressão pós-parto devido a essa perda.
De vez em quando ia a casa dela, e comecei a ver objetos em demasia. Após um período de tempo, já estava tralha por todo o lado! Guardava tudo e empilhava em casa, no hall, sala, cozinha...
O quarto do miúdo estava cheio de brinquedos, mas curiosamente o quarto dela era o único espaço livre - tenho que perceber porquê, ainda não se fez luz. Mau, mau Maria, pensava eu.
Depois o miúdo foi colocado num colégio interno... Mau, mau Maria... Depois começou a loucura das obras compulsivas em casa... Mau, mau Maria... Por fim, um alarme da Securitas num sítio sem perigo – a paranóia tinha-se instalado!
Toda contente disse-me que estava a fazer hipnose! Ora bem, a hipnose, já dizia Gleitman, funciona por sugestão e a psicologia ainda tem algumas dúvidas sobre todo o processo. Mas sim, porque não experimentar! O ser humano deve experimentar tudo o que lhe seja possível para aliviar mais a sua dor.
Voltando ao dia da ida de ambulância para o hospital, estive três dias a pensar se lhe diria algo... De um lado a auto-obsessão, por outro lado, o lado humanista. É mais ou menos isto: Caguei e andei vs. ajuda a rapariga!
Ao quarto dia, pelo WhatsApp, disse-lhe que sabia que ela tinha tido um ataque de pânico e ela confirmou que sim e que já era recorrente HÁ MUITO TEMPO. A própria família dela, em frente ao INEM, só dizia o ridículo que ela estava a fazer! O filho dela menor chorou comigo, e eu senti aquela impotência, juntamente com a minha fragilidade, nesta altura, que me levou à insegurança!
Uma insegurança parva,só porque não me lembrei da Mary Ainsworth, porque a verdade é que não lhe dei importância sobre a sua teoria, achei parva a teoria e ultrapassada. Também inventei Heurísticas MECÂNICAS que não existem - não sei onde fui buscar as mecânicas, e por fim, chateei-me porque a Moda, Média Mediana, não foi apresentada da forma como eu queria.
Como tal, decidi levantar-me chateada e entregar tudo! A mulher até ficou a olhar para mim! 20 minutos antes, estava toda eufórica na brincadeira, lá fora, com os meus colegas de Direito!
Estou sempre a falar disto no blog já há algumas semanas, mas escrever é terapêutico, e quanto mais falar, mais depressa me passa a telha!
Voltando à minha amiga, falei com ela e expliquei-lhe o que lhe tinha acontecido. Prontifiquei-me a dizer que a posso ajudar, pois apesar da falha, eu ainda sou quem eu sou! Disse-lhe que quando ela começar a pensar no mesmo, muitas vezes seguidas, para me telefonar para aliviar a ansiedade e eu irei-lhe explicar o porquê desses pensamentos. Ao explicar vou-lhe dar uma nova consciência, e com uma vez consciente a ansiedade enfraquece.
Disse-lhe que os ataques de pânico são basicamente uma defesa do cérebro para proteger o humano. É um SHUT DOWN! É como se o cérebro dissesse “um momento, vou desligar porque não estou a aguentar esta ansiedade"! Não nos podemos esquecer de que o cérebro é preguiçoso, e os estados de ansiedade dão-lhe muito trabalho, por isso, por vezes desliga, ou com ataques de pânico ou com desmaios! Um desmaio é coisa rápida, mas um ataque de pânico é do pior, pois é uma completa descarga que acontece interiormente e que leva a pessoa a pensar que vai morrer!
Conclusão
Se ela aceitar a minha ajuda, irei falar com ela várias vezes e tenho como objetivo ela começar a libertar a casa de tanta tralha. Isso será o mais difícil, pois deitar a tralha fora significa MAIS UMA PERDA, MAIS UM LUTO.
Os objetos/tralha tornam-se demasiado importantes para as pessoas porque não se mexem, não as abandonam, ficam ali em casa inanimados e elas sentem conforto no meio da tralha – não há abandono, por isso é tão difícil depois largá-los para que a pessoa aprenda a lidar com todas, mas todas as perdas passadas!
É tudo por agora...
Arrogância ou Sabedoria?
A verdade incomoda muita gente...
As pessoas com opiniões diferentes de outros são, muitas vezes, chamadas de arrogantes por outras pessoas. Isso também acontece quando alguém que, desde cedo, teve pensamento crítico e conseguiu explicar o que não era explicável, ou até mesmo explicar “frases feitas” repetidas continuamente por outras pessoas.
Também a inveja é um fator bastante importante no que toca a rotular alguém - por exemplo, sabiam que Einstein mexeu os cordelinhos para não deixar que Freud recebesse um Prémio Nobel em 1928? Verdade! Tudo se resume a: “A verdade incomoda”.
De vez em quando, eu acedo a um grupo que pertenço há 25 anos pelo Zoom, só para ouvir e estar entretida enquanto estou no computador. Há sempre algum tópico que vai fazer com que as pessoas falem dele e exprimam a sua experiência. Quem não tem experiência limita-se a opinar sobre o tópico.
Torna-se bastante interessante, durante 1h, ouvir tais opiniões e histórias. A falta de sabedoria deve-se ao facto de terem um passado cheio de experiências que originaram crenças. Crenças é aquilo em que se acredita, em que batemos o pé a dizer “é assim, eu sou assim, isto é assim...”.
É-lhes apresentado um presente cheio de ferramentas para construir um futuro, mas, por alguma razão, 99% decide começar a dizer o que os outros dizem. Penso que é a necessidade absoluta de pertença e de evitar a rejeição, por isso não têm pensamento crítico.
Também me atrevo a dizer que é por preguiça e desonestidade – digo o que tu dizes para ser aceite, mas sinto completamente o contrário.
Neste dia em particular, o tópico do grupo do Zoom era “FOFOCA”, e ali estava eu a ouvir!
Uns diziam que se estavam a cagar se falavam mal deles. Outros diziam que pediam ajuda, outros diziam, espantados, como era possível, naquele meio que deveria ser de irmandade imaculada, haver fofoca, outros diziam que ficavam tristes, e, por fim, havia os que eu chamo de "académicos falsos", ou "falsos profetas”, a dizer coisas surreais. Basicamente, relataram sentimentos sem fundamento. Quando se relata sentimentos sem fundamento, fica-se na mesma.
Eu levantei a minha mãozinha para falar e quando foi a minha vez disse:
Fofoca... Hmmm... Interessante... A fofoca faz parte do ser humano, pois toda a gente fala mal de alguém, incluindo nós! Basta termos pontos de vista diferentes uns dos outros para, logo à partida, falarmos mal dessa pessoa. Lá fora no mundo, acontece a mesma coisa todos os dias, mas o que importa mesmo é nós aprendermos o porquê disso nos afetar tanto a nós!!!!
Possivelmente, temos infâncias com muita rejeição e vergonha, e quando, em fase adulta, alguém fala mal de nós voltamos de imediato ao ponto de partida, ou seja, a experimentar os mesmos sentimentos, e reagimos em fúria contra quem fala mal de nós, sem nos apercebemos que também nós próprios falamos mal dessas pessoas.
Entramos em modo egocêntrico e isso é uma consequência porque nunca escrevemos, falamos ou lidamos sobre esse passado. Sendo assim, temos um presente parado, sem esperanças de construir um futuro melhor. Também sei que quem diz “estou-me a cagar”, que mente, pois isso é só um mecanismo de defesa.
O ser humano gosta de ser aceite pelos seus pares e sociedade!
Uma tonta que estava a coordenar a reunião disse:
Obrigada, e obrigada pelos conselhos!
Fiquei sem perceber se tinha sido sarcástica, pois quando falo, faço-o pelo coração. Eis que mal ela diz isto, levantam-se uma data de mãos que também queriam falar. Se eu gosto de ver esta reação quando falo? Gosto! Quem não gostaria de ser uma referência?
A primeira que falou disse logo que os meus conselhos eram sempre os mais esperados devido à sabedoria que eu transmitia. Os restantes que falaram a seguir conseguiram entender o que eu dizia e, assim, conseguiram identificar os seus traumas e ver como afetam o presente - e, finalmente, o porquê de a fofoca ter tanto impacto neles!
Conclusão
Quando alguém fala mal de ti, talvez fosse bom descobrir como isso te afeta:
Também falas mal dessas pessoas? Possivelmente, têm comportamentos diferentes na vida.
Sentes-te muito magoado e vingativo? Possivelmente, terás que ir à origem/infância e verificar qual foi o ser humano que amaste e que te deu tanta rejeição. Possivelmente, irás verificar que estás ainda no dia de hoje a projetar esses sentimentos para com outros. Se ainda projetas, é sinal que não está resolvido e precisa urgentemente de ser visto por um terapeuta.
No mundo do sexo, por vezes, “vejo” pessoas que se prostituem de alguma forma para darem o que têm e não têm à família. Aqui no meu canto, sossegada, penso: será que é uma tentativa desesperada de dizer: "Fui mal amada por vós, mas agora cuido de vós e, por isso, finalmente, tenho a vossa atenção". Será?
Adição e Recuperação
Como e porque acontece este ciclo vicioso?
A adição é caracterizada como uma doença que não tem cura pelo Ministério da Saúde. É uma doença incurável porque não se sabe muito bem a origem e como acontece no cérebro. A armadilha dá-se quando se utiliza a doença da adição para justificar os comportamentos ao longo da recuperação.
Um dos exemplos mais comuns que se dá é este:
Imagine um grupo de amigos que sai à noite e todos bebem. Passadas umas horas, uns sentem sono e querem ir para casa enquanto os restantes ficam eufóricos e querem ir pela noite dentro. Os restantes têm uma predisposição à adição!
Outro fator é que adictos com muitos anos de recuperação acabam por recair. Recaídas com muitos anos tornam-se fatais, pois o corpo está desabituado das drogas. Mas o adicto decide consumir a mesma quantidade que consumia há anos! O corpo não aguenta tal violência!
O adicto é burro? Não! Simplesmente, antes de recair já está disfuncional e a recaída é apenas uma consequência dessa disfuncionalidade, ou depressão, que não foi abordada rapidamente e de forma honesta.
Às vezes, e agora vou mais além - “beyond adiction”. Passam anos e anos a conviver com outros adictos, a ouvir as mesmas histórias, a dizer as mesmas coisas e a ajudar anos a fio, e, mais uma vez, de forma compulsiva e obsessiva outros adictos que entram em recuperação. Complexo de Deus!
Acabam por criar uma falsa aparência, status. Isso faz com que, quando entram em depressão, não pedem ajuda para poderem manter o status e esquecem-se que são a pessoa mais importante. O estar sempre a olhar para e pelos outros faz com que se deixe de olhar para si mesmo.
A recuperação deve abranger todas as vertentes da vida, pois os adictos podem ajudar adictos, mas as pessoas ditas normais podem também dar conselhos bons que se tornam muito proveitosos. E até mesmo, por vezes, têm uma nova perspetiva muito mais simples, visto que os adictos têm a mania de complicar as coisas simples. Isolarem-se e validarem só a ajuda de outros adictos com a falsa crença: “aqui é que me compreendem, pois, o mundo lá fora não sente como eu”, pode fazer com que o adicto não cresça emocionalmente.
Se virmos bem é como voltar de novo ao bairro de consumo – adictos no ativo dão-se apenas com outros adictos no ativo. Adictos em recuperação, dão-se apenas com adictos em recuperação. Permanecem num grupo vários anos para depois irem permanecer em outro grupo vários anos.
A doença da adição
Diz-se que é fulcral a aceitação desta doença. Diz-se no que se lê e de quem interpretou isto sem ter pensamento crítico. A aceitação desta doença vem com o primeiro passo, que é basicamente o adicto ou alcoólico admitir que tem uma doença que o leva à destruição, e sendo assim o melhor será entrar em recuperação.
Mas onde é que está aqui a armadilha nesta frase?
A armadilha dá-se quando se utiliza a doença da adição para justificar os comportamentos ao longo da recuperação.
“Eu agi, fiz, disse, porque estou muito doente... Eu agi, fiz, disse, porque foi esta doença que me fez fazer, dizer, agir... Eu continuo a ser muito doente... Eu sou doente...”
Não parece uma coisa tipo BDSM, onde o submisso diz à dominatrix “eu nada valho”? A mim parece-me, e enquanto não acho o termo melhor para isto, fico com este!
Adictos com pensamento crítico acabam por ressentir a doença da adição, e é mais:
“Que merda! Volta e meia entro em comportamentos compulsivos e obsessivos que me levam a adições cruzadas. QUE GRANDE MERDA!”
Parece também punição, mas não é, pois, estes adictos acabam por estar mais atentos aos seus comportamentos e como ressentem a doença, acabam por pedir ajuda, tipo, JÁ, para reverter o processo, “voltar a si”, e ir para a solução. Não se permitem a ter mais que três meses no problema, no comportamento desviante, ou agir de forma compulsiva e obsessiva.
Reformulando isto, a doença está lá e vai estar, sabe-se que se fizerem um novo gelado XPTO, e se o adicto gostar, vai comer daquele gelado de forma compulsiva e obsessiva até ao dia - que pode demorar! - que começar a ficar enjoado. Não é expressão, é fato! A sentir mesmo enjoo!
Um adicto que ressente esta doença. Acaba por só comer o gelado duas semanas e acaba logo com a história porque para além da doença da adição, tem uma consciência que lhe avisa do disparate que está a fazer e de como esse gelado pode fazer mal ao seu organismo. Sendo assim, e mesmo querendo muito o gelado, começa a autodisciplinar-se para parar.
Mas há adições cruzadas, como por exemplo – compras, jogo, comida e afins, que também precisam de ajuda como se de uma droga se tratasse. O que todos têm em comum é um vazio que tem de ser sistematicamente preenchido com algo. É como um buraco que se tem dentro de si – a sensação que falta algo e não se sabe bem o quê.
Esse vazio faz com que se entre nesta compulsão e obsessão de uma tentativa desesperada de o preencher. Funciona durante o ato! Quando o indivíduo usa qualquer alterador de humor, seja drogas, álcool, compras, sexo, jogo, etc.... Acaba por sentir aquela euforia/adrenalina que eu falava mais acima. Após isso, cai à terra, e agora o buraco está maior!!!!
Agora não é só o buraco de faltar qualquer coisa, mas sim a culpa e vergonha do dinheiro que gastou em coisas que não precisa, do sexo que fez com gente que nem gosta, do uso de drogas para aliviar os sintomas e da deceção que isso traz para si e para a sua família, com o começar a engordar por causa da comida e isolamento social porque fica com vergonha de estar gorda(o), etc....
Então, o que acontece? Para não sentir o buraco maior, repete tudo de novo!!!!! INSANIDADE, NÃO É? Cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes! Os adictos em recuperação acabam por cometer o mesmo erro. Vão aos grupos de apoio e partilham para poderem sentir o alívio imediato que traz uma partilha e, inconscientemente, para pedirem o perdão e a aceitação de outros. Após isso, repetem!
Que buraco é este??? O que me atormenta há anos? Perguntam vocês...
Eu chamo-lhe A ORIGEM / O MAIS LINDO DOS SEGREDOS BEM GUARDADO.
Esse buraco deriva de traumas de infância, adolescência, ou até casamentos, falta de afeto, má parentalidade, mas o mais provável é o abandono. Tudo que faltou na infância deixou o BURACO, o VAZIO que nada nem ninguém consegue preencher. Surreal.
Então, o que pode fazer?
Pode continuar a repetir tudo durante anos até à sua morte, drenando-se a si mesmo e aos outros à sua volta, passar pelo espelho e evitar de se olhar nos olhos, mas ao mesmo tempo a tirar mil selfies por dia, para postar na tentativa que outros comentem e lhe digam aquilo que gostava de ouvir, mas é incapaz de sentir acerca de si mesmo.
Ou mais fácil ainda, mais rápido: pode pedir ajuda a um psicólogo que a vai desmontar devagarinho e levá-la a mais bela descoberta da sua vida – a descoberta de si mesmo! Ah, e quando você começar a se descobrir, também vai-lhe dar adrenalina, mas desta vez irá ser uma adrenalina aplicada para construção e não destruição do seu ser.
É aqui que também falha a recuperação, quando um grupo de adictos em recuperação acha que se não saírem um pouco da comunidade e pedirem ajuda específica, é isso que lhes salva a vida! Mantém-nos de facto em recuperação, mas continuaram a viver com o vazio não resolvido e a partilhar para aliviar e para pedir perdão como se de uma penitência se tratasse!
Não é exatamente o mesmo do passado:
Mãe, dá-me dinheiro porque tenho dores da ressaca – eu estou doente!
Se não tiveres dinheiro, caguei e andei, vai, mas é arranjar para mim – porque eu tenho uma doença!
Após o consumo:
Mãe, desculpa – eu sou doente, peço perdão!
REPETIR...
É tudo por agora...
Responsabilidade Pessoal
Há pessoas que se isentam de responsabilidades, pois sentem mesmo que a culpa é sempre dos outros.
Quando nascemos, nascemos com um propósito, para sermos alguém, fazermos algo com a nossa vida. Desde pequenos que os nossos pais nos ensinam a sermos responsáveis, desde o básico de ter que tomar banho, comer vegetais, dormir a horas, e muitas outras coisas. Começa-se desde cedo a aprender esta noção de se ser responsável pela nossa vida.
Também se começa desde cedo a aprender a assumir as falhas, como pedir desculpa, como reparar algum dano, a aprender-se a noção do certo e do errado e, muitas vezes, ouvem-se pais a dizer aos filhos que "mentir é feio".
Mas nem tudo é assim tão cor de rosa, pois há muita gente que não teve estas referências e princípios transmitidos em pequenos. E, por isso, a vida adulta torna-se complicada para eles próprios e para aqueles à sua volta, pois estas pessoas não estão sozinhas no mundo, têm amigos, colegas, familiares - e "levar" com uma pessoa destas é muito complicado e até pode vir a ser muito violento, tanto fisicamente como emocionalmente.
De alguma forma, estas pessoas isentam-se de responsabilidades, pois sentem mesmo que a culpa do seu comportamento e escolhas é dos outros. Para mim está aqui um mistério, pois a nível cerebral ainda não consegui entender como isto se desenrola dentro do cérebro.
Não consigo entender como é que uma pessoa consegue passar uma vida a dizer que tudo o que faz é por culpa dos outros e, realmente, acredita nisto! Não vale a pena chamar estas pessoas de desonestas, pois não têm noção do mal que causam a elas próprias e aos demais. Há aqui qualquer coisa que me falha...
Uma das coisas de que tenho noção é que estas pessoas são extremamente carentes e dependentes de alguém. Dependem dos outros para fazer qualquer coisa e essa dependência faz com que abusem dos outros. Tornam-se abusivas emocionalmente, pois são dependentes por culpa dos outros!
Que salada de frutas que aqui vai, mas é a verdade! Como é que uma pessoa consegue viver culpando os outros, dependente deles, e acaba sempre a usar essas pessoas, mentindo, roubando, tratando mal essas mesmas pessoas que, possivelmente, são as únicas que ainda estão do lado deles e sempre os ajudaram? Como é que criam à sua volta tanta decepção?
Como é que não decidem mudar e viver de bem com eles próprios, com os outros, e viver em plenitude, de bem com a vida e com o universo? Porque se violentam desta maneira? Porque violentam os outros? Porque fazem tudo para estarem em situações de risco e querem morrer, mas, ao mesmo tempo, têm tanto medo de morrer? Como fazem tudo para afastar os outros e, ao mesmo tempo, têm tanto medo de os perder?
Possivelmente, a plenitude para essas pessoas seria fazer o que quisessem sem haver consequências, sem haver decepção. Será psicopatia ou sociopatia? Será doença mental não diagnosticada? Não sei!
O que sei é que se tornam pessoas muito cansativas de lidar e não confiáveis.
Tantos de nós que já se cruzaram com este tipo de pessoas! Tantos de nós que já investiram tempo, dinheiro, amizade com estas pessoas para que, no fim, como recompensa, sejamos enganados.
Por compaixão e por pena, muitas vezes, demos a mão, a perna, o braço a estas pessoas, acreditando que elas pudessem mudar e, finalmente, pudessem ter alguma paz e felicidade, mas a verdade é que no fim deste caminho, fomos nós que fomos infelizes, fomos nós que não tivemos paz. Vale a pena o investimento? Está claro que não! Que arrogância a nossa de pensar que se pode salvar uma pessoa assim! Que falta de autoestima que temos em nos dar com alguém assim!
Por isso, quando nos cruzamos com estas pessoas, o melhor mesmo a fazer é um inventário pessoal e refletir sobre o porquê de nos irmos meter na boca do lobo! Porque me meto neste espaço? O que não está bem comigo? O que me falta? De onde vem esta arrogância de achar que posso mudar os outros?
Possivelmente, será melhor começar por mim mesmo! Talvez aí eu venha a compreender que há pessoas que nasceram tortas e nunca se irão endireitar. Talvez venha a compreender que tenho que me pôr em primeiro lugar, tratar de mim e, assim, entender que esse espaço não é para mim, pois o meu EU quer paz, tranquilidade e viver uma vida com qualidade.
É tudo por agora...
Ser ativista pode ser ingrato
As ativistas têm no sangue pensamento crítico e quando vêem algo surreal, atuam logo.
Uma ativista é uma pessoa que dá as suas opiniões sobre o que, normalmente, está errado e também acaba por sugerir o que acha que está certo. Habitualmente, é alguém que acredita numa causa e luta por ela...
E não deixa que essa causa seja "sujada", ou até que tentem inventar coisas, pois acredita na causa e não quer que esta se venha a perder devido a pessoas que gostam de inventar, ou até de ignorar, o que lhes convém!
O mundo não gosta muito de ativistas, pois seria melhor vivermos caladas. Abordar problemas pode ser desconfortavél para o ser humano, pois quando o ser humano não se conhece muito bem, tem tendência a seguir o grupo.
Segue o grupo porque não se quer sentir rejeitado e tem necessidade de pertencer a algo. Então, não é capaz de ter pensamento crítico!
Já as ativistas têm no sangue pensamento crítico e quando vêem ou ouvem algo surreal, atuam logo, mostrando um outro lado! Dou como exemplo um caso que me aconteceu esta semana...
Ouvi uma coisa da boca de uma pessoa que me fez confusão, mas tudo bem. O pior foi quando ouvi a repetição do mesmo da boca de outra, e antes de se tornar-se moda agi!
Escrevi um post a dizer que dentro da associação a que eu pertenço, não se fazem famílias instantâneas, mas aprende-se a lidar com a perda das nossas verdadeiras famílias. Elas acham que é "VIP" fazer famílias instantâneas, e eu acho que nem sabem o que estão a dizer!
Então expliquei...
"... Algo americano, nascido e criado dentro das prisões americanas, pois é dentro destas prisões que surgem as "famílias instantâneas como meio de sobrevivência". Quando se chega a uma prisão americana, já lá existe formada uma família, onde um é o pai, outro o avô, o tio, o sobrinho e, como tal, para pertencer àquela família/gangue ser-lhe-á atribuída uma função familiar.
Parece-me que houve alguém saído da prisão que trouxe este sistema de institucionalização para esta associação, e agora anda meio mundo a dizer isto porque sentem que é VIP dizê-lo..."
Começou a haver muitos comentários no post, cada pessoa dava a sua opinião, mas com respeito, mesmo que fosse contrária à minha, o que quase nunca há!
Eis que fui insultada por uma VIP das "famílias instantâneas"! Picou-se, mas o foco dela era a minha foto de perfil. A dizer que era impossível ser eu, pois parecia uma artista de cinema!
Ora bem, eu faço parte desta associação há 25 anos e toda a gente sabe que na foto sou eu. O que me chateou foi a falta de respeito, pois é como uma facada que me entra no cérebro e eu disparo automaticamente. A seguir, disse-lhe tudo como os malucos, e ainda a convidei a dizer o que disse pessoalmente.
Se eu tenho consciência do que lhe respondi? Tenho! Mas a mim ninguém me falta ao respeito!!! Eu não admito tal coisa! Eu não falto ao respeito às pessoas, sou educada e estou sempre a sorrir. Só que tenho cérebro para além da beleza e, por isso, escrevo, analiso e tenho pensamento crítico. O mais importante nisso tudo é QUE TENHO VOZ ATIVA na sociedade.
Agora todos os meus posts têm que ser revistos! LOL Eu estou-me a rir, mas não tem graça nenhuma quando vejo que "quatro gatos pingados" decidem querer silenciar-me, ainda para mais quando os conheço e apetece-me começar com o meu sarcasmo...
"Estou pendente da publicação? Mas quem és tu? Vamos falar de ti? É que eu consigo falar agora de ti no presente, mais do que tu de ti mesmo nos próximos dez anos..."
Conclusão disto
As ativistas a única coisa que dão é o seu ponto de vista e mostram o que lhes parece errado. Elas não obrigam ninguém a ver as coisas como elas vêem! Simplesmente, têm uma voz ativa na sociedade. Sentem que o que está a ser feito ou dito pode prejudicar o ser humano e, por isso, falam e escrevem, alertando as pessoas de que também existe uma outra verdade, um outro ponto de vista.
Já as pessoas que discordam, então que o digam com educação, mesmo sendo confrontação. Que o façam com educação e não em gozo pela Internet, tentando ridicularizar quem está a dar o seu melhor. É que, no final, acaba-se por perder o foco do tema e o foco passa a ser a discussão gerada!
Amizade por correspondência
O que dizer daqueles amigos que se tornam "tomadores" e nada têm para oferecer?
Muitos de nós temos amigos e, por vezes, tornam-se a base da nossa vida. Amizade é uma relação mais íntima que temos com alguém. Alguém em quem confiamos, com quem partilhamos os nossos segredos e dificuldades. Escolhemos alguém, neste mundo, como amigo e pensamos que podemos contar com essa pessoa para a vida.
Criamos expectativas, mas também tratamos essa pessoa de acordo com as nossas expectativas. Até aqui tudo muito bem.
Há pessoas que passam pela nossa vida em certa altura, mas, depois, durante a vida, a nossa personalidade sofre alterações, outros interesses aparecem e, por vezes, há amigos que se perdem no caminho. Mais uma vez, até aqui está tudo muito bem! O que não me parece bem são aqueles amigos que se tornam "tomadores" e nada têm para oferecer.
Uma pessoa amiga minha que sofreu um desgosto muito grande no dia 30 dezembro, pois teve uma enorme perda e tem estado muito infeliz, só neste mês, teve um contato de um amigo por quem tinha muita consideração! Um contato tonto, pois essa pessoa amiga dizia-lhe que queria ir beber café com essa pessoa naquele dia! Tinha de ser naquele dia!
Claro que a pessoa recusou, pois as coisas não se fazem em cima da hora! Eis que do outro lado ouve:
- Vou para a América de férias e queria saber se podes, novamente, ficar com a minha cadela.
O corpo, que é algo maravilhoso, deu logo sinal de que alguma coisa não soava bem, e o que não soava bem foi a manipulação exercida!
Ora bem, essa pessoa não queria passar tempo com a outra, ouvir a sua dor, dar uma palavra de fé, força e esperança - o que queria mesmo era que lhe ficasse com a cadela.
Manipulação:
“Eu quero muito que a minha cadela fique contigo porque eu, no ano passado, deixei-a com outra pessoa e a cadela vinha magra e infeliz. E quando esteve na tua casa, há dois anos, vinha toda feliz e até se via que sentia a tua falta!"
A pessoa minha amiga tinha a ficha a meio e chegou a dizer para esse amigo lhe ligar mais próximo da data, para ter uma resposta definitiva.
Manipulação e tentativa de responsabilizar o outro:
“OK, OK, mas, então, vou já comprar os bilhetes!”
Despedem-se, desligam o telefone e eis que a ficha cai e, para além de ficar clara a manipulação, fica também claro o egocentrismo e narcisismo da outra pessoa, e ficou também claro que a dor da outra pessoa não lhe interessava.
Isto parece conversa de café, mas não, pois, imaginem, alguém estar a passar por uma dor emocional e a precisar de pessoas para a apoiarem e essa pessoa, em quem mais confiava, fazer-lhe uma coisa destas!
A pessoa já se sentia sozinha e mais se ficou a sentir. Em conversa, disse-lhe:
- Olha, aproveita o luto do teu desgosto e faz já este também! Vai tudo de seguida!
Isto para dizer o quê?
A amizade não é nenhum contrato vitalício! Eu também conheço essa pessoa e isto diz-me que ela, que até era evoluída emocionalmente , regrediu na inteligência emocional. Não me admirei muito porque já andava, há algum tempo, a conseguir ver isso através dos textos que escrevia.
Ora bem, quando há alguém que continua focado no crescimento espiritual e a outra regride, então começa a deixar de haver coisas em comum - e a nível emocional e de amizade começam a ficar desconectados! A confiança enfraquece, então porquê continuar com uma amizade em que os dois estão em pólos diferentes?
"Arranca e não faças pó!"
Eu, pelo menos, sou assim. É muito, mas muito difícil deixar alguém entrar no meu mundo e confiar em alguém. E, depois, sou muito rápida a eliminar pessoas da minha vida! Não papo grupos!
Um exemplo recente... Tenho um amigo simplificado, LOL, há 26 anos. Pedi-lhe ajuda para telefonar a alguém que estava a passar um mau bocado. Não é só um mau bocado, é alguém sobre quem tenho estado à espera de receber um telefonema a dizer que morreu - ou seja, eu para pedir ajuda, ou até aceitá-la, é porque é um caso sério, pois sou muito autosuficiente.
Fui uma criança que teve de ser adulta mesmo antes de chegar à adolescência, por isso é natural. Esse amigo meu disse-me que não lhe ia ligar porque não lhe apetecia! Resposta errada!
Como é que alguém se recusa ajudar alguém que pode morrer a qualquer momento, alguém dentro do nosso grupo que conhecemos há quatro anos?
O que mais avalio numa amizade é a integridade da pessoa, os valores morais, independentemente da raça, sexo, religião, trabalho que tenha. Quando vejo que não há humanismo, ou integridade, eu retiro-me da vida da pessoa e nem deixo que me contacte mais!
TEMOS DE SER DUROS!
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